Maus prenúncios no PSD

O meu colega de Económicas  e ainda Ministro Vieira da Silva, por quem tenho aliás grande consideração pessoal,  notou que o PSD já tinha encomendado as faixas de vencedor antecipado das próximas eleições legislativas. Vários dirigentes do PSD falam como se a próxima campanha eleitoral fossem “favas  contadas” e um mero passeio triunfal.

É bem verdade que o PSD tendo pela frente um “cadáver  político” na pessoa de José Sócrates e todo o peso de uma gestão política e económica absolutamente desastrosa nos últimos seis anos teria à partida uma vida muito facilitada. Assim o sugerem as sondagens.

Mas o acto eleitoral é eminentemente regenerador do capital político e se o PSD continuar com a presente inépcia, pode ser mesmo que o “cadáver político” se mova no caixão. Os manuais de Ciência Política estão cheios de exemplos  onde os eleitores não validaram resultados dados como certos.

É preciso desde logo notar que a Alta Direcção do PS tem uma capacidade político-demagógica muito superior à do PSD.  Em campanha eleitoral contam muito mais os aspectos demagógicos do que os de substância, como a vitória de José Sócrates sobre Manuela Ferreira Leite bem ilustrou.

Diria que a Alta Direcção do PS é feita, para o bem e para o mal, de profissionais da política enquanto a Alta Direcção do PSD está na política em “part-time” usando o tempo que os negócios permitem. As implicações são óbvias e os erros já cometidos em tão pouco tempo são assinaláveis: chumbo do PEC sem negociação; rejeição de pré-eleitoral com CDS; anúncio avulso de hipotéticas medidas estruturantes (i.e. IVA), por exemplo.

É, assim, um erro completo ter uma postura mental de “encomendar as faixas”. Pelo contrário, só uma campanha altamente profissional e gerida ao milímetro poderá possibilitar uma maioria eleitoral, mesmo que relativa. Mesmo nestas circunstâncias tenho sérias dúvidas que o próximo Primeiro-Ministro seja Pedro Passos Coelho.

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4 respostas a Maus prenúncios no PSD

  1. Carlos Cardoso diz:

    Eu,ilustre desconhecido,”formado” na escola de meio século de vida,assino por baixo desta pertinente análise.
    De tal facto já dei conhecimento às devidas instâncias,ou seja,aos “políticos em part-time conforme são aqui retratados.Se fôrem inteligentes…pragmáticos…sérios…
    Caso contrário,é “mais do mesmo”,como é habitual comentar-se!
    Que as estrelas nos céus os iluminem!A bem da Nação!

  2. FTM diz:

    Tenho sérias dúvidas que o “impossível” – reeleição do “cadáver político” na pessoa de José Sócrates – não se venha a verificar. Parece-me que o PSD – com uma notória e descontrolada sede de poder – foi atraído para uma cilada e cegamente caiu que nem um patinho. O PS manipulou o adversário com a facilidade com que se manipula uma criança. Agora vai deixa-lo tropeçar nos seus próprios erros, que serão seguramente muitos e em grande medida precipitados pela rápida sucessão de eventos que vão asfixiar a tesouraria da Rep.Portuguesa nos próximos 2 meses. O PSD será responsabilizado por esta situação a nível internacional (parece-me indiscutível que o Sócrates goza de enorme popularidade junto dos principais líderes políticos internacionais e em particular junto das instituições europeias de referência). O experiente “engenheiro” acompanhado da poderosa máquina política que controla Portugal há demasiados anos vai conseguir diabolizar o adversário e surgir novamente aos olhos do povo como “o menor dos males”. Quiçá não sai desta eleição com uma maioria absoluta?
    Em bom rigor, salvo um erro pessoal na interpretação da dinâmica monetária internacional, nada dos problemas que nos assaltam terão relevância no espaço de 2 a 3 anos. A economia global vai colapsar sob o peso da absurda política monetária seguida pelos bancos centrais. O rebentar da próxima bolha será o fim. A descontrolada impressão de moeda – que começou com a FED mas que é hoje reproduzida pelos principais BC’s – vai levar ao retrocesso quase total na abertura ao comércio global. Vai seguramente fazer colapsar a União Monetária Europeia. Na minha óptica a estratégia de Sócrates até não era má. Portugal deverá procurar obter o máximo de apoios sem recurso ao FMI para no momento oportuno – que na minha opinião irá indiscutivelmente surgir – entrar em default (parece-me pelos exemplos históricos que negociar um haircut de 40 a 60% é perfeitamente alcançável). Já se o FMI estiver cá, será muito difícil fugir às responsabilidades. Nessa altura para sobrevivermos teremos de conseguir estabilizar os gastos públicos abaixo da receita que deverá ser substancialmente mais baixa face ao que se verifica hoje de modo a que a carga fiscal não asfixie a iniciativa empresarial.
    Vejamos se a minha leitura da bola de cristal está correcta.

  3. Joao Jardine diz:

    João Rendeiro
    Sem, sequer questionar os termos e as conclusões do seu silogismo permita-me apenas formluar as seguintes perguntas:
    a) O eleitorado nacional “deu” uma maioria absoluta ao PS em 2005 e, em 2009 “deu”, apenas, uma maioria relativa, vai-lhe “dar”, desta vez outra maiora absoluta? Ou mesmo uma nova relativa? Porquê?
    b) Como vai, o actual PM em funções, descalçar as responsabilidades (partilhadas ou não) na “vontade” em desencadear a crise?
    c) Como é que o PS e o actual PM “apaga” a participação na governação em 13 dos últimos 16 anos, sem recordar necesariamente, que esteve no governo esse tempo?
    Cumprimentos
    JJN

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