Guerra civil nas Finanças

A passada conferência da TSF no Hotel Ritz foi o palco involuntário para um inesperado tiroteio político-financeiro. Bastou que Teixeira dos Santos falasse em aumentos de capital na banca e logo caiu o “Carmo e a Trindade “. Fernando Ulrich falando a seguir ao Ministro logo lhe zurziu dizendo que discordava de tudo o que ele tinha dito. No meio da confusão geral ninguém se lembrou de perguntar em quantos países do Mundo um CEO de um banco se dirigiria assim a um Ministro das Finanças. Mas Ulrich acha que pode ser assim e Teixeira dos Santos também nada faz para se fazer respeitar e assim se deu mais uma machadada na credibilidade do sistema.

A questão, não obstante, e de fundo – Precisa ou não a banca portuguesa de aumentar capital?

Vejamos que em Espanha até ao plano de recapitalização das Cajas estava em questão a divida soberana. Quando Zapatero percebeu que a chave da questão era a credibilidade das Cajas não hesitou e passou por cima de todos os pequenos poderes locais forçando fusões até há pouco impensáveis e impondo aumentos importantes de capital com forte participação privada. O fundo público-FROB está disponível para uma utilização objectivo máximo de € 20 mil milhões (para além do €15 mil milhões já investidos). Esta determinada actuação de Zapatero está a ser recompensada e a divida soberana de Espanha descolou de Portugal e está numa trajectória mais tranquila.

Tarde e a más horas Sócrates e Teixeira dos Santos perceberam finalmente a mensagem. Querem fazer o mesmo com a banca portuguesa estabelecer um mecanismo tipo FROB e impor aumentos de capital. Vai-se tarde e a más horas e a relação de poder entre o Estado e a banca não é a mesma de Espanha. Como se viu na infeliz Conferência.

A questão é, no entanto, mais geral. Os mercados internacionais não têm confiança numa banca que deve € 40 mil milhões ao BCE e mais uns bons mil milhões ao Banco de Portugal e este conundrum só tem solução com aumentos de capital – uns públicos, outros privados. Quanto mais depressa Ulrich e seus pares perceberem isto mais rápido se resolvera a guerra civil e a dívida soberana.

Estou optimista quanto a isto? Não.

 

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2 respostas a Guerra civil nas Finanças

  1. FTM diz:

    As intervenções públicas do Sr. Fernando Ulrich são um perfeito desastre. De cada vez que lhe colocam um microfone à frente começa a disparatar. Não demonstra respeito por ninguém – nem pelo próprio.

  2. Pedro Lisboa diz:

    Estarão os acionistas em condições de efetuar aumentos de capital ?
    O problema dos nossos bancos é muito grave a curto prazo,pois os senhores em Frankfurt não podem continuar a manter o doente em estado terminal ligado à máquina para sempre.
    O montante em dívida de 40 mil milhões de euros é demasiado elevado para se manter durante muito mais tempo.A banca portuguesa terá que fazer aumentos de capital.
    O que acontecerá se o BCE “fechar a torneira” ?

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