AS INTERVENÇÕES DO BANCO DE PORTUGAL

Ou uma ”estória” de € 10 mil milhões

As intervenções dos Bancos Centrais na crise financeira que implodiu em 2008 foram e continuam a ser decisivas para a estabilidade dos sistemas financeiros. É conhecida a massiva infusão de liquidez que a Reserva Federal Americana (FED) fez no sistema financeiro mundial, incluindo alguns bancos portugueses.

As intervenções dos Bancos Centrais pautam-se por um grande secretismo e daí não ser surpreendente que tentem manter fora do escrutínio público essas intervenções. Isso mesmo tentou o FED mas, como é conhecido, o Congresso Americano ordenou que as intervenções de liquidez na crise de 2008 fossem tornadas públicas e os temores de Bernanke eram, afinal, infundados. O escrutínio público foi feito e o balanço que se fez sobre a massiva intervenção foi globalmente muito positivo reforçando a credibilidade do FED.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) tem tido um papel não inferior ao FED na estabilização dos sistemas financeiros. Por exemplo, em relação a Portugal, o BCE tem neste momento uma exposição de cerca de € 65 mil milhões, sendo € 40 mil milhões de apoio à liquidez dos bancos portugueses e € 25 mil milhões de compra no mercado de dívida pública portuguesa. Como se vão pagar estes € 65 mil milhões é matéria que ficará para outro comentário.

O que tem escapado por completo ao escrutínio público é um outro conjunto de intervenções do Banco de Portugal. Na verdade, sem nunca o ter admitido publicamente, o Banco de Portugal tem comprado dívida pública portuguesa (cerca de € 3,5 mil milhões) mas, mais importante, tem apoiado directamente a liquidez de bancos portugueses.

O Banco de Portugal através de um programa aprovado pelo Banco Central Europeu “EMERGENCY LENDING ASSISTANCE” esta a apoiar os bancos portugueses com um montante muito apreciável, estimado nos meios financeiros internacionais em € 10 mil milhões.

Esta verba apreciável é dinheiro público de Portugal que está a ser emprestado com colateral que se não conhece e com influência decisiva na sobrevivência de bancos. Isto significa que estes dinheiros públicos estão a apoiar alguns accionistas e administrações em discriminação em relação a outros que não precisam por boa gestão ou que precisam e não têm, por decisão política.

Seria importante que o Banco de Portugal esclarecesse se estas informações são correctas ou não, pois nada pior do que o temor do infundado. Os mercados internacionais estão fechados aos bancos portugueses justamente por este tipo de informações que urge esclarecer.

Não é, por sua vez, aceitável que estes alegados apoios continuem sem escrutínio, com o risco de um dia os portugueses acordarem com um buraco de mais €10 mil milhões na dívida pública portuguesa.

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2 respostas a AS INTERVENÇÕES DO BANCO DE PORTUGAL

  1. Pedro Eiras Antunes diz:

    Caro João,
    Independentemente de tudo o mais, e das memórias menos boas, gosto da acutilância e sentido crítico dos teus artigos e posts, que se afiguram refrescantes e informativos nos tempos de marasmo e conveniência pardacenta em que vivemos actualmente. Parabéns pela iniciativa.
    Cumprimentos,
    Pedro

  2. FTM diz:

    As instituições em causa tem por regra não comentar rumores. É uma prática comum. Dúvido que a abandonem especialmente nesta circunstância.

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