O ESTADO TOTALITÁRIO

Estive nos últimos dias a trabalhar num Município industrial dos arredores de Barcelona. É interessante notar as múltiplas velocidades da economia Espanhola. Em abstracto é só dificuldade mas em concreto há muitos espaços de progresso económico. Parece ser o caso dos distritos industriais que circulam Barcelona centrados na exportação para a Ásia.

A visita a estes Municípios tem o seu lado surreal. Sai-se de auto-estradas do primeiro mundo e logo se entram em zonas mal urbanizadas, com ruas esburacadas e serviços de recolha de lixo inaceitáveis em Portugal. Por portas exíguas, entra-se em escritórios de baixa renda, mobilados “ business-standard” e equipados com vídeo-conferência para a Coreia do Sul e China . Fui transportado em carros 4X4 porque carros normais não caminhariam pelas estradas esburacadas se chovesse.

O meu anfitrião escocês parqueou o seu BMW 4X4, perto do seu escritório, numa fila imensa de carros mal estacionados em frente a um inacreditável sinal de estacionamento proibido, numa rua esburacada de armazéns industriais.

No final do dia já atrasados para a ida ao aeroporto, pânico geral. O carro desaparecera e os parcos pertences dos viajantes também. Pergunta-se no armazém da frente e a resposta vem pronta, um pronto-socorro do Município tinha transportado o veículo para duas quadras adiante. Chegados aí, encontra-se uma perfeita estrutura industrial de segurança irrepreensível. Um cubículo com vidro à prova de bala com um funcionário a cobrar multas é acoplado por mais três seguranças que transportavam carros das ruas imundas nos seus pronto-socorros. O pobre escocês e os outros pobres desprevenidos lá pagariam € 150 pela sua ousadia.

Não sendo directamente nada comigo, o lado rebelde que, felizmente, ainda não perdi, fez-me pensar que o Município tinha organizado uma operação de autêntica fraude. Fez-me igualmente pensar nas crescentes situações que presencio de abuso da posição monopolista do Estado de que este obscuro Município Catalão é exemplo. Fui um modesto lutador antifascista nos meus tempos de estudante, lamentavelmente às vezes pergunto-me, PORQUÊ?

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