A PROPOSITO DAS EXPLICAÇÕES

Lembro-me que na minha juventude universitária, no tão saudoso quanto caótico ISEG, os meus maioritários colegas marxistas-leninistas, começariam o que quer que fosse por “…… A Propósito de”. Eu, na altura pobre Keynesiano de esquerda, lá me fui aguentando e acabei por terminar o curso. À falta de melhor início para este texto, este pareceu-me um bom artifício.

Isto, a propósito da excelente reacção que o ARMA/CRÍTICA suscitou transformando-o num dos blogues mais visitados. Gostaria desde já agradecer a todos os que acederam ao blogue e, em particular, aos que se deram ao trabalho de deixar um comentário ou sugestão.

Gostaria, nomeadamente, de agradecer aos Directores do Diário Económico e do Jornal de Negócios – António Costa e Pedro Santos Guerreiro – a atenção que dedicaram ao blogue nos seus jornais e sítios online.

Não obstante, contrariamente ao que eu pretendia, muito do comentário público se centrou mais no BPP, do que no BPI. Dir-se-ia que a matéria teria morto o mensageiro, por ter tocado em nervo tão sensível. Mas a matéria correra o seu caminho, novas análises serão apresentadas e o tempo dirá se “O aumento de capital do BPI” foi análise certeira.

Resta, então, o tema das explicações a dar no caso BPP e espero fazer uma ponderação que se tenha como clarificadora nesta fase.

Devo dizer, mais uma vez, que em matéria de Banco Privado Português eu sou responsável moral por tudo, repito por tudo. Sou, igualmente, completamente solidário com a angústia e sofrimento irreparáveis com que viveram e vivem os clientes do BPP. Os clientes do BPP, em particular alguns dos seus líderes, sabem como tenho, em todas as circunstâncias, tentado ajudar no que posso. Sabem, também, que sempre me reuni com eles quando solicitaram que os aconselhasse – nomeadamente na adesão ao FEI – e nunca virei a cara ou me refugiei em lugar inacessível. Quero mesmo crer – porque mo disseram pessoalmente – que muitos clientes do BPP acreditam, ainda hoje, que se eu tivesse continuado na Presidência do BPP as coisas teriam evoluído de forma muito mais favorável.

Dito isto, toda a gente sabe que os reguladores e o Ministério Publico estão a desenvolver as suas investigações sobre o caso BPP. Nesta sequência, penso que qualquer pessoa razoável aceita que eu não posso, para além – repito – de assumir a responsabilidade moral em abstracto, dar explicações em concreto para acusações, por ora, inexistentes, e que ninguém sabe quais são.

Não posso também assumir sozinhas as responsabilidades de reguladores e operadores do sistema financeiro nacional e internacional, numa lógica bem conhecida em que se houver um “bode expiatório” os outros passam pelos pingos da chuva. Caso para dizer “ Meus amigos ou ha moralidade ou comem todos “.

Igualmente, no caso BPP há várias pessoas e entidades que terão que se explicar. Acho saudável que se faça um “post-mortem” sério para tirar as devidas ilações, punindo responsabilidades e corrigindo procedimentos. Mas aqui, também, vamo-nos entender: não aceitarei a lógica do bode expiatório. Reafirmo que há muita matéria que não é conhecida publicamente, mas que o será no momento oportuno.

Assim, deixo, mais uma vez claro, que não falarei publicamente do processo BPP até que seja formulada, ou não, uma acusação. Igualmente, não responderei a opiniões ou comentários de analistas ou jornalistas que inevitavelmente se fazem sobre esta matéria. Não aceitarei a lógica da gritaria, segundo a qual quem gritasse mais alto nos média seria o ganhador.

Recordo, para terminar, que, em defesa da honra, exerci procedimento judicial contra Joe Berardo e Miguel Sousa Tavares e informo, igualmente, que só em circunstâncias muito extremas processarei mais alguém.

 

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2 respostas a A PROPOSITO DAS EXPLICAÇÕES

  1. Nuno Afonso diz:

    Numa primeira leitura do seu blog, parece hilariante a ideia de vir comentar o BPI e teste de stress. Mas eu pergunto e o BCP com o Millennium BCP na Polonia e os desastres na Turquia e Grecia? E a rede de balcoes nos USA que teve ser fechada devido a fraca rentabilidade?
    Parece que o BPI é o unico banco que esta claramente mais vulneravel à divida Irlandesa e Portuguesa? Por ser dos grandes o mais pequeno?
    E os outros grandes? BES e CGD, esses nao acumulam so divida soberana, tambem tem creditos concecidos transformados ja em capital social…

    A proposito, parece obvio que casos como BPP e BPN foram despreziveis, pois na supervisao portuguesa (CMVM e BdP) tudo continua na mesma, um nao aparecia nos radares outro era do sistema..

  2. Laura diz:

    Boa tarde Dr. João Rendeiro,

    Penso que uma pessoa com o seu estatuto moral não devia falar sobre o caso BPP neste momento. A VERDADE virá ao de cima porque sempre o vem e aí o Sr vai notar a quantidade de pessoas que o apoiam. Cumprimentos,

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